Este período, também conhecido como Época Baixa, começa com o faraó Shabaqo (716-702), o sucessor de Piye. Shabaqo conquistou todo o Egipto logo no primeiro ano do seu reinado. Derrotou o faraó da 24.ª dinastia, Bocchoris (717-712), liquidando assim os outros reis e unificando todo o páis sob o domínio dos Núbios, sediados em Napata, na vizinhança sul do Egipto. Esta cidade era a capital de Kush, nome egípcio pelo qual era conhecida a região da Núbia. Este foi o período em que o Egipto foi dominado pelos chamados faraós negros. A capital seria mais tarde transferida de Napata para Menfis, onde estes passaram a residir parte do tempo. Esta mudança política trouxe benefícios económicos que levaram a um reflorescimento artístico, patente nos vários monumentos desta altura no Alto Egipto. Por exemplo, a construção de pirâmides como monumentos funerários foi retomada.
Durante o meio século que durou o poder Núbio, o Império Assírio tinha vindo a expandir-se desde o século IX no Próximo Oriente, ameaçando os vários estados que preenchiam a Palestina e Síria, principalmente o Reino de Judá. Estas nações independentes eram na realidade estados-tampão, que pretendiam auxílio dos egípcios para impedir o avanço assírio. No entanto, os reis Núbios poucas vezes corresponderam com ajuda.
Em 671 um ataque com êxito do rei assírio Esarhaddon (681-669) levou à conquista de Mênfis, e todo o Egipto viu-se forçado a pagar tributo. O faraó Taharqo (690-664) teve que fugir para sul, tendo retomado Mênfis dois anos depois. Com a morte de Esarhaddon, a campanha seguinte foi levada a cabo pelo seu filho, Assurbanípal (669-627), que se aliou ao governador de Sais, Nekau I (672-664), para restabelecer o domínio assírio. Estava assim criada a 26.ª dinastia, paralela à 25.ª dinastia que agora controlava apenas o sul e a Núbia (Kush). A capital do reino núbio foi então deslocada mais para sul, para a região de Meroe.
Pirâmides em Meroe, capital no sul do Reino de Kush (Núbia)
Autor: Jason Lewis e equipa
Tanutamani (664-657), sucessor de Taharqo,
reconquistou até ao delta e derrotou Nekau, recuando para a
Núbia perante as posteriores investidas de
Assurbanípal. O controlo assírio sobre a 26.ª
dinastia só acabaria com Psammeticus I (664-610), que
com as suas campanhas de unificação, em menos de dez
anos eliminou os governantes locais do Baixo Egipto impondo uma
autoridade central, e colocando a filha Nitocris num alto
cargo em Tebas.
Durante este período de
unificação já se tinham estabelecido no Egipto
colónias de emigrantes gregos, que tornados comerciantes e
mercenários marcariam o país durante as
gerações seguintes. Soldados gregos passaram a ser
usados em qualquer conflito internacional, sendo muitas vezes
decisivos no desenrolar de uma batalha. Os faraós desta
dinastia não os dispensaram na sua política externa,
que consistia em repetir as conquistas do Império Novo na
Palestina e Síria, e apoiar os rivais da maior
potência do Próximo Oriente no momento, ora a
Babilónia, ora a Assíria. Mas essas conquistas
não tiveram efeito a longo prazo.
Em 525, os persas comandados por Cambises tomam o poder do Egipto, iniciando assim a 27.ª dinastia. Este empreendeu várias campanhas de conquista pelo país, mas o seu sucessor Dario I (521-486) seguiu uma via mais conciliadora, o que permitiu maior prosperidade. No entanto, o domínio persa só foi tolerado no Egipto enquanto não houve possibilidade de se lhe escapar. A derrota persa na batalha de Maratona em 490, marcou o início de 80 anos de resiteência em que os rebeldes vendiam cereais à Grécia em troca de auxílio militar.
O domínio persa acaba com a tomada do poder por Amirtaios de Sais (404-399), rei que libertou a região do delta do Nilo do domínio persa, e por volta do ano 400 todo o país estava na sua mão. Ele foi o único rei da 28.ª dinastia.
Seguiram-se usurpações do trono
que criaram as duas dinastias seguintes, e vários reis
tiveram de continuar a repelir as ofensivas persas, como aconteceu
com Nepherites I (399-393) e Nectanebo I (380-362).
Houve em 343 mais uma tentativa de invasão persa liderada por Artaxerxes, que foi coroada de êxito. Começou assim o 2.º reinado persa (também chamado a 31.ª dinastia), que iria durar 10 anos. Este período é interrompido por um soberano natural do Egipto, Khababash, que parece ter controlado toda a região do delta do Nilo.