Período Dinástico Primitivo

(2920-2575 a.C.)

Detalhe da paleta do rei Narmer (c. 3125 a.C.)
Detalhe da paleta do rei Narmer (c. 3125 a.C.)
(Museu Britânico, Londres)

O início da 1.ª dinastia (cerca de 3125 a.C.) dá-se com a unificação de todo o país por um rei do Alto Egipto, tradicionalmente chamado Menes pelos historiadores gregos. Do ponto de vista da arqueologia moderna, o posto de primeiro rei do país unificado cabe a Narmer ou a Aha. Ocorre a fundação de Menfis como capital política, e a difusão do uso da escrita. Menes conquistou o Baixo Egipto a partir do Alto Egipto, mas esta conquista não involveu necessariamente uma postura agressiva; ela foi mais cultural e tecnológica do que militar. Os dois centros de poder mais importantes nesta fase eram Menfis e Abydos, este último onde eram enterrados os faraós e respectiva corte.

Estes importantes acontecimentos marcaram a transição de uma cultura pré-histórica sem linguagem escrita, para a história egípcia dividida em trinta dinastias. O sistema das dinastias reinantes foi criado por Manetho, sacerdote grego no século III a.C., que por incumbência de Ptolomeu II criou a sua Aegyptiaca (História do Egipto). Existem outras fontes, como papiros e inscrições em templos com listas de dinastias e faraós, mas nem sempre são correctas pois eliminam os faráos menos importantes, rainhas, e todos aqueles contrários ao regime, exagerando os que detinham o poder.

Neste período os faraós passaram a adoptar o nome de Horus, título real que os relacionava com a manifestação de um dos aspectos do deus-falcão Horus. Formaram-se os nomos (nome grego; o termo egípcio antigo era sepat), províncias administrativas do Egipto. Nem sempre tiveram poder local, pois em épocas de administração centralizada, e aquando de invasões estrangeiras, perdiam a sua autoridade. O sistema de nomos só atingiu a forma final no reinado dos Ptolomeus, com 22 para o Alto Egipto e 20 no Baixo Egipto.

No princípio da 2.ª dinastia (2770-2649) a necrópole real foi transferida para Saqqara. Peribsen, primeiro rei desta dinastia, foi o único a usar o título de Seth em vez de Horus. Talvez isto evidencie uma divisão das crenças na altura, visto que Horus e Seth são deuses inimigos na mitologia egípcia, ambos lutando pela herança do país. A reconciliação entre as duas fidelidades ocorreu durante o reinado de Khasekemwy, tal como manifesta o seu nome de Horus, no qual se vêem os dois deuses acompanhados da frase «os dois senhores descansam nele».

Pirâmide do rei Djoser em Saqqara
Pirâmide do rei Djoser em Saqqara

Djoser (2630-2611), segundo faraó da 3.ª dinastia, mandou erigir a famosa Pirâmide de Degraus em Saqqara, e que constitui o mais antigo edifício de pedra daquelas dimensões do mundo, com 60 metros de altura. Começada pouco depois de 2630 a.C. a partir de uma mastaba comum (túmulo real primitivo), o seu projecto foi várias vezes alterado até atingir uma pirâmide de 6 degraus. Imhotep foi o arquitecto desta obra, tendo ficado imortalizado em estátuas. No fim deste período dinástico inicial, a fronteira do Egipto já estava alargada até à sua fronteira tradicional, a 1.ª catarata do rio Nilo. Com a morte de Djoser acaba este período dinástico inicial, também conhecido como Época Arcaica.

subir