
O início da 1.ª dinastia (cerca de 3125 a.C.) dá-se com a unificação de todo o país por um rei do Alto Egipto, tradicionalmente chamado Menes pelos historiadores gregos. Do ponto de vista da arqueologia moderna, o posto de primeiro rei do país unificado cabe a Narmer ou a Aha. Ocorre a fundação de Menfis como capital política, e a difusão do uso da escrita. Menes conquistou o Baixo Egipto a partir do Alto Egipto, mas esta conquista não involveu necessariamente uma postura agressiva; ela foi mais cultural e tecnológica do que militar. Os dois centros de poder mais importantes nesta fase eram Menfis e Abydos, este último onde eram enterrados os faraós e respectiva corte.
Estes importantes acontecimentos marcaram a transição de uma cultura pré-histórica sem linguagem escrita, para a história egípcia dividida em trinta dinastias. O sistema das dinastias reinantes foi criado por Manetho, sacerdote grego no século III a.C., que por incumbência de Ptolomeu II criou a sua Aegyptiaca (História do Egipto). Existem outras fontes, como papiros e inscrições em templos com listas de dinastias e faraós, mas nem sempre são correctas pois eliminam os faráos menos importantes, rainhas, e todos aqueles contrários ao regime, exagerando os que detinham o poder.
Neste período os faraós passaram a adoptar o nome de Horus, título real que os relacionava com a manifestação de um dos aspectos do deus-falcão Horus. Formaram-se os nomos (nome grego; o termo egípcio antigo era sepat), províncias administrativas do Egipto. Nem sempre tiveram poder local, pois em épocas de administração centralizada, e aquando de invasões estrangeiras, perdiam a sua autoridade. O sistema de nomos só atingiu a forma final no reinado dos Ptolomeus, com 22 para o Alto Egipto e 20 no Baixo Egipto.
No princípio da 2.ª dinastia (2770-2649) a necrópole real foi transferida para Saqqara. Peribsen, primeiro rei desta dinastia, foi o único a usar o título de Seth em vez de Horus. Talvez isto evidencie uma divisão das crenças na altura, visto que Horus e Seth são deuses inimigos na mitologia egípcia, ambos lutando pela herança do país. A reconciliação entre as duas fidelidades ocorreu durante o reinado de Khasekemwy, tal como manifesta o seu nome de Horus, no qual se vêem os dois deuses acompanhados da frase «os dois senhores descansam nele».

Djoser (2630-2611), segundo faraó da 3.ª dinastia, mandou erigir a famosa Pirâmide de Degraus em Saqqara, e que constitui o mais antigo edifício de pedra daquelas dimensões do mundo, com 60 metros de altura. Começada pouco depois de 2630 a.C. a partir de uma mastaba comum (túmulo real primitivo), o seu projecto foi várias vezes alterado até atingir uma pirâmide de 6 degraus. Imhotep foi o arquitecto desta obra, tendo ficado imortalizado em estátuas. No fim deste período dinástico inicial, a fronteira do Egipto já estava alargada até à sua fronteira tradicional, a 1.ª catarata do rio Nilo. Com a morte de Djoser acaba este período dinástico inicial, também conhecido como Época Arcaica.