Império Antigo

( 2575-2134 a.C.)

Neste período, a 4.ª dinastia foi a época das grandes pirâmides. Elas seriam um símbolo solar aliado ao culto do deus-solar Rá. Mas só durante o reinado de Radejedef é que se tornou comum a utilização nos títulos reais do epíteto «Filho de Rá». Este título salientava a relação íntima e previlegiada que o soberano detinha como intermediário entre o deus-solar e a população do Egipto.

Senefru (2575-2551), o primeiro soberano desta dinastia, construiu duas pirâmides em Dahshur e possivelmente outra em Meidum. Empreendeu uma campanha na Núbia, que levou à fundação de um posto avançado em Buhen, que durou séculos sendo usado como base para o comércio e expedições mineiras.

Dos restantes reis, salienta-se o grupo compacto de enormes pirâmides e templos no planalto de Gizah, dos faraós Khufu (2551-2528), Khafra (2520-2494) e Menkaura (2490-2472). Estes reis ficaram mais conhecidos pelos nomes gregos Keops, Kefren e Mikerinos, respectivamente. Além desta fase extraordinária na construção, este período produziu grande parte das mais belas esculturas, relevos, inscrições e mobiliário de túmulos do Império Antigo.

Pirâmides de Gizah
As pirâmides de Gizah foram uma das maiores realizações
dos soberanos da 4.ª dinastia

Um certo declínio no domínio real começa a sentir-se na 5.ª dinastia, com a diminuição do tamanho das pirâmides, e a localização de alguns túmulos nas províncias. O primeiro faraó, Userkaf (2465-2458), construiu uma pequena pirâmide em Saqara, a leste da Pirâmide de Degraus, e um templo do sol perto de Abusir, cujo modelo foi copiado por cinco dos seus sucessores. No fim desta dinastia verifica-se perda de importância do culto do deus-solar Rá. Wenis (2356-2323) não mandou erigir nenhum templo solar, demonstrando isto claramente, tendo apenas construído uma pirâmide extremamente pequena.

A 6.ª dinastia é caracterizada por uma enorme deterioração do governo real, acompanhada de pobreza na população civil. Durante o longo reinado de Pepy II (2246-2152), o declínio na administração acentuou-se, generalizando-se também a pobreza. Este clima de instabilidade é bem claro na modéstia e construção subterrânea dos túmulos particulares da zona de Menfis. Algumas campanhas na Núbia foram executadas para obter minérios e gado.

Como consequência da perda de poder central, os vinte anos que duraram as 7.ª e 8.ª dinastias foram dominados por numerosos faraós efémeros. Os funcionários provinciais tornaram-se detentores hereditários dos seus cargos, transformando-se em dinastias de governantes locais. Tratavam os respectivos nomos como propriedades suas, defendendo-os contra os interesses dos vizinhos inimigos. A fome e talvez cheias insuficientes explicam o colapso político deste altura, como o confirmam a análise das taxas de mortalidade dos cemitérios da época.

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