Terceiro Período Intermédio

( 1069-664 a.C.)

A partir do ano 1069, os primeiros faraós da 21.ª dinastia mudaram a sua capital para Tanis, no Nordeste do delta, controlando o país a norte de el-Hiba. O restante vale do Nilo até Assuão era controlado pelos sumos-sacerdotes tebanos, que reconheciam os reis Tanitas, datados segundo os anos dos seus reinados, e casavam com mulheres da sua família, mas que efectivamente eram governantes de um estado separado. Último faraó desta dinastia, Psusennes II (959-945), era possivelmente um sumo-sacerdote de Amon, unindo os dois reinos na sua pessoa, mas não os transformando numa unidade.

Com Sheshonq I (945-924), primeiro rei «líbio» da 22.ª dinastia, os faraós passaram a ser naturais de Bubastis, centro de adoração da deusa-leoa Bastet, situado no 18.º nomo do Baixo Egipto. As actividades de Sheshonq ficaram marcadas por uma campanha na Palestina, gravada nos relevos de Karnak, importantes trabalhos de construção, e ainda o reatamento das ligações comerciais com Biblos, na costa fenícia.

Ruínas do templo da deusa Bastet na antiga Bubastis
Ruínas do templo da deusa Bastet na antiga Bubastis

Após quase um século de paz, a realeza entrou em conflito e declínio. A nomeação do príncipe Osorkon para sumo-sacerdote de Amon, cargo que juntava às suas funções militares, foi rejeitada pelos Tebanos, o que levou a uma longa guerra civil. Então, o trono destinado a Osorkon, foi usurpado pelo seu irmão, Sheshonq III (825-773).

De então em diante, e até quase finais do século VIII, o país fragmentou-se em vários potentados locais de reis que aspiravam ao poder, lutando contra a influência da 22.ª dinastia, e entre si. Essas linhagens de faraós rivais constituíram a 23.ª e 24.ª dinastias, sendo reconhecidos em Tebas, Hermópolis, Heracleópolis, Leontópolis e Tanis.

Os governantes da 24.ª dinastia eram apenas considerados reis em Sais, zona que dominavam no delta ocidental. A região de Tebas e a Núbia estavam desde 770 a.C. nas mãos da 25.ª dinastia. Por volta de 730, estas duas tornaram-se as mais poderosas, entrando em conflito pelo domínio do Alto Egipto. Os Núbios partiram de Napata, centro do culto de Amon perto da 4ª catarata do rio Nilo. Eram liderados por Piy (747-716) que chegou até Menfis, reclamando a submissão de governantes locais, em especial de Tefnakht (724-716), que chefiava em Sais. Depois das conquistas, Piy voltou para Napata sem se proclamar único rei do Egipto.

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